Friday, January 13, 2012

Posso chorar? Só um bocadinho. Sem fazer ruído. Sem incomodar ninguém. Preciso muito.
Porque a emoção que sinto é demasiado intensa e o corpo não a consegue conter. Tenho de a por cá para fora, para que as lágrimas não me sufoquem a alma. 
Tenho memórias. De tempos diferentes, da vida quando era fácil e despreocupada. Dos amigos ali sempre a mão. De gente que se ama e que já não está cá. Mas que ainda se ama. E gente que faz falta. Existem pormenores do dia que as trazem de volta, como uma brisa quente e doce, que nos faz inspirar e fechar os olhos e nos transporta para outro lugar. De repente estamos naquele sítio morno onde tudo é perfeito e todas as pessoas queridas estão em nosso redor. 
Um ruído de um carro, de folhas secas a serem pisadas, a voz de uma criança, ou o som de um telefone, instantaneamente resgatam-nos dessa viagem e, de repente, estamos no mesmo sítio de novo, na mesma realidade de que nos tínhamos conseguido afastar, e a gente que se ama não está. Só a imensa memória de um sorriso, uma voz, não se esquece a voz ou o cheiro, a ausência intransponível. A saudade que dói. A impotência de, por muito que doa, não a conseguir trazer de volta, nem sequer para a ver uma última vez. Gostava tanto de ter podido ter acariciado o seu rosto para que não se atenue da minha lembrança. Quero agarrar-me a essas pessoas. Estou longe de estar preparada para as deixar partir.
Fazem-me falta. Fazem-me falta. Fazem-me falta.

1 comment:

  1. Obrigado por estas palavras no dia do meu aniversário.
    Beijinhos

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